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domingo, 13 de novembro de 2016

[ Tanto de meu estado me acho incerto,]

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Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Nu~a hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar u~a hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.


Luís de Camões

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sábado, 29 de agosto de 2015

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fonte: http://www.tabacaria.com.pt/lusiadas/08.htm 
 
Os Lusíadas de Luís de Camões
ilustrados por Carlos Alberto Santos
Canto I, estância 11
Camões continua a dirigir-se a D.Sebastião, a quem vai dedicar o poema.
   
11-
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Ouvi: que não vereis com vãs façanhas,
fantásticas, fingidas, mentirosas,
louvar os vossos, como nas estranhas
musas
, de engrandecer-se desejosas;
as verdadeiras vossas são tamanhas,
que excedem as sonhadas, fabulosas,
que excedem Rodamonte e o vão Rugeiro,
e Orlando, inda que fora verdadeiro.
estranhas musas- poemas alheios;
Rodamonte- personagem do poema "Orlando Innamorato";
vão Rugeiro (ou Rogério)-  personagem do poema "Orlando Furioso"(vão= vaidoso);
Orlando (ou Rolando)- herói do poema "La Chanson de Roland" de quem se dizia poder derrubar duzentos adversários de um só golpe.  Segundo o poema, no combate final contra quatrocentos inimigos consente, finalmente, em chamar o corpo principal do exército de Carlos Magno, tocando a sua trompa de guerra.

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