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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

[ Qual é que morreu em tua lua?]

 " Cuál ha muerto en tu luna? Quién
       de tantos
       que fuí Y a cuál amaste ?

       Oh silencioso río.
       Amargos navegantes llevas "

            José María Álvarez.


" Qual é que morreu em tua lua? Quem
       de tantos
       que fui e a qual amaste ?

       Oh silencioso rio.
       amargos navegantes levas "

            José María Álvarez.
tradução de antónio carneiro

terça-feira, 8 de novembro de 2016

[ Me parecia que este dia sem ti tinha que ser inquieto,]



"Me parecia que este dia

sem ti

tinha que ser inquieto,

escuro. No entanto, está cheio

de uma doçura estranha, que aumenta

com o passar das horas

como a terra

depois de uma chuvada,

deixa-se sozinha em silêncio para beber

a água caída,

e pouco a pouco

em suas veias mais profundas

ela se sente penetrada.




A felicidade que era ontem angústia,

tempestade,

volta agora em breves

ondas ao coração

como um mar apaziguado.

Sob o sol suave reaparecido brilham

cândidas ofertas:

as conchas que a onda

deixou na praia.



Antonia Pozzi (1912-1938) (Tradução de Herme G. Donis)

tradução de antónio carneiro

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

[ Amamos o que não conhecemos, o já perdido.]

Amamos o que não conhecemos, o já perdido.
O bairro que já foi arredor.
Os antigos, que já não podem defraudar-nos,
porque são mito e esplendor.
Os seis volumes de Schopenhauer,
 que não acabaremos de ler.
A recordação, não a leitura, da segunda parte do Quixote.
O Oriente, que sem duvida não existe para o afegão, 
para o persa ou o tártaro.
Os nossos antepassados, com os quais não poderíamos conversar
durante um quarto de hora.
As cambiantes formas da memória, 
que está cheia de esquecimento.
Os idiomas que apenas deciframos.
Algum verso latino ou saxónico, que não é outra coisa que um hábito.
Os amigos que não podem faltar-nos,
porque estão mortos.
O ilimitado nome de Shakespeare.
A mulher que está a nosso lado e que é tão diferente.
O xadrez e a álgebra, que eu desconheço.

Jorge Luís Borges

(trad. aj c.)

terça-feira, 5 de abril de 2016

" No sé. Sólo me llega en el venero
        de tus ojos, la lóbrega noticia
        de Dios; sólo en tus labios, la caricia
        de un mundo en mies, de un celestial granero.

        ¿ Eres limpio cristal, o ventisquero
        destructor ? No, no sé… De esta delicia,
        yo sólo sé su cósmica avaricia,
        el sideral latir con que te quiero.

        Yo no sé su eres muerte o eres vida,
        si todo rosa en ti, si toco estrella,
        si llamo Dios o a ti cuando te llamo.

        Junco en el agua o sorda piedra herida,
        sólo sé que la tarde es ancha y bella,
        sólo sé que soy hombre y que te amo "

           Dámaso Alonso ( 1898-1990 )


"Não sei. Só me chega na veneração
         de teus olhos, a lúgubre notícia
         de Deus; só em teus lábios, a carícia
         de um mundo em colheita, de um celestial celeiro.

         És límpido cristal ou monte glaciar
         destruidor? Não, não sei ... Desta delicia,
         Eu só sei de tua avidez cósmica,
         a sideral batida com que te quero.

         Eu não sei se és morte ou se és vida,
         Se tudo emana de ti, se toco estreleja,
         se chamo Deus ou a ti quando eu te chamo.

         Junco em água ou surda pedra ferida,
         Só sei que a tarde é grande e bela,
         só sei que sou um homem e que te amo "


            Dámaso Alonso (1898-1990)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

o destino é não evitar o evitável



" En la avenida por donde van y regresan
         las mañanas y las tardes azules como el agua,
         hay que vivir con los buenos vecinos,
         con el cielo azul y con las flores.

         Yo camino en soledad todas las noches
         por la cumbre solitaria que protege la avenida;
         no es inevitable el destino,
         el destino es no evitar lo evitable "

           Yu Chi-Hwan ( 1908-1967 ) ( Traducción de Kim Hyun-Chang )

*



" A avenida por onde vão e regressam
as manhãs e as tardes azuis como a água,
há que viver com os bons vizinhos,
com o céu azul e com as flores.

Eu caminho sózinho todas as noites
pela cúpula solitária que protege a avenida;
o destino não é inevitável,
o destino é não evitar o evitável"

Yu Chi-Hwan ( 1908-1967 ) ( Tradução minha )

domingo, 11 de janeiro de 2015



O que quer o vento de janeiro
que baixa pelo barranco
e violenta as janelas
enquanto te visto de abraços?

Derrubar-nos. Arrastar-nos.

Derrubados , arrastados,
os dois sangues se afastarão.
Que mais quer o vento
cada vez mais amargo?

Separar-nos.



Miguel Hernández ( 1910-1942 )

(tradução de aj c.)

domingo, 4 de janeiro de 2015





Amassaria com cipreste
austero teu corpo gracioso.

Ensombraria teus olhos
com violáceos pensamentos

E em tuas mãos iria pregar
saudades de desterro.

Talvez então alcançasse
fabricar te o meu desejo,

e bloquear-te sem perigo
na prisão de meu peito.

sem perigo de que um dia
profanasses o seu silêncio

e derrubasses seus muros
com a chama do teu corpo.



Pedro Pérez-Clotet

(tradução livre minha)


*