Azulejo sobre a tomada de Ceuta, da autoria de Jorge Colaço, na Estação de São Bento, no Porto
Alberto Frias
A
praça africana foi o primeiro bastião português além-fronteiras e abriu
caminho para que Portugal se tornasse o primeiro império global
Portugal
era um pequeno reino periférico e o rei tivera de lutar duramente para
manter a independência relativamente a Castela, cujo rei não escondia o
desejo de acabar de vez com o que D. Afonso Henriques começara havia
quase três séculos.
Garantida a independência e fundada a segunda dinastia, D. João I viu-se à frente de um reino cheio de jovens fidalgos desejosos de pelear, mas onde já não haviam terras para conquistar aos mouros e em que a paz com Castela era para se manter a todo o custo. O rei precisava de uma nova Aljubarrota, uma gloriosa batalha que permitisse aos seus filhos serem armados cavaleiros e um escape para a nobreza que fazia da guerra a sua carreira. O reino também precisava de mostrar à Europa a sua força e a luta contra os muçulmanos iria seguramente agradar ao Papa, que tinha um papel decisivo na diplomacia da época e para quem a luta contra o Islão era a maior das prioridades. Analisados os vários cenários, restavam duas opções: o Reino de Granada (último reduto muçulmano na Península) ou Ceuta, que permitiria controlar o Estreito de Gibraltar e, em teoria, aceder ao comércio do Norte de África e às riquezas que as caravanas transportavam pelos desertos.
Garantida a independência e fundada a segunda dinastia, D. João I viu-se à frente de um reino cheio de jovens fidalgos desejosos de pelear, mas onde já não haviam terras para conquistar aos mouros e em que a paz com Castela era para se manter a todo o custo. O rei precisava de uma nova Aljubarrota, uma gloriosa batalha que permitisse aos seus filhos serem armados cavaleiros e um escape para a nobreza que fazia da guerra a sua carreira. O reino também precisava de mostrar à Europa a sua força e a luta contra os muçulmanos iria seguramente agradar ao Papa, que tinha um papel decisivo na diplomacia da época e para quem a luta contra o Islão era a maior das prioridades. Analisados os vários cenários, restavam duas opções: o Reino de Granada (último reduto muçulmano na Península) ou Ceuta, que permitiria controlar o Estreito de Gibraltar e, em teoria, aceder ao comércio do Norte de África e às riquezas que as caravanas transportavam pelos desertos.