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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Há nela

















.
há nela
uma beleza
que adormece o vento
assim, brandamente arfando
de lá do sonho.
.
há nela
um labirinto
inevitável de profundidades
e toda a graça
duma chuva lenta
a cair-me quente por todos os poros.
.
busco-me
no azul e azul
de seus cabelos de anjo
- onde acharei o verde
de seus braços,
as tais promessas de palmeiras sob o céu?-
responde, coração!
.
há nela um caos,
para adorá-la
com fundo desejo, mas calmo.
.
a sua presença
é como olhar as estrelas
e ter frio.
.
a minha alma
se precipita no seu olhar tímido
abraçando as fragas
onde as vagas se quebram.
.
há nela
o fluir de um belo poema
ele tão puro
de amor.

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O céu fez-me livre...
.....só para a escolher.
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antónio carneiro
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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Subir até ao teu mais fundo




.
Subir
até ao teu mais fundo
céu,
.
Livre
dos sentidos
celeste
de afectos.
.
Criar
essa tua vontade
este pecado do homem
unido a ti
ao sabor do vento.
.
Feliz
te guardo o nome
alento único desta minha vida
que sem ti nada é.
.
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antónio carneiro
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sábado, 3 de setembro de 2016

[ lá longe ]



.
lá longe
uma praia cheia de sonhos
em que tu és uma estrela que desceu ao mar
e porá um pássaro de carícias
no peito dos que a amarem.
.
.
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antónio carneiro


(facebook 16/5/2016)

segunda-feira, 16 de maio de 2016

[Amar sem caminho ]



.
Amar sem caminho
através da reinvenção do silêncio
.
A tentativa de espelhar a espessura
do meu desejo na rosa do teu rosto.
.
Uma escrita afundada em ti
A paixão que racha os muros da noite
paralela à minha mão
desperta e livre
a vaguear
na tua pele
como uma chama.
.
Paixão que dimana da terra
para todo o meu enlouquecimento,
uma inconsciência ritmada como as ondas
a escrever no teu corpo
que se eleva e contorce
flexível e fulminante
saindo-nos o beijo
sobre a volúpia das algas.
.
.
mas do igual do tempo
sem uma palavra, nos encontramos,
e o mar é sermos nós
no nosso leito
e voltarmos a nós
nos nossos passos
de silêncio
sem caminho.
.
o amor que o luar não tinge
um mar que se abre
na garganta
para a inominável deserção da voz
.
-
-
antónio carneiro
.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

[Hoje está um dia de chuva]

*
.
Hoje está
um dia de chuva.
.
Não me assusta,
saberei acabar com a cinzentude
e criar sóis.
.
cá estarei eu
incorrigivelmente
a cantar
a promessa dos braços
de minha amada
mesmo que à chuva.
.
- Não pode um homem
viver
sem a visão de um infinito
em seu vazio
ou de uma mulher despida
a sorrir-lhe
na feitura de um poema.
.
Que por ela se escreva amor em cada pingo que caia.
.
(...aj c.)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Eu vejo-te
tão clara como um mar de chamas
que nunca se desfaz,
mas inda que te escondas do mundo,
pulsa dentro de mim
o enigma das noites estreladas
que a tua boca me traz.
_______________© (antónio carneiro)


rumor

Rumor de àgua
____sem mais que teu olhar
em minha inquietude distante
enquanto tu,
teu corpo, teu espirito,
________tu, altissima, serena,
tua alma que venceu a minha,
vais decidindo
o meu futuro.

_______________© (antónio carneiro)


 
 
 
 

domingo, 16 de agosto de 2015

* * *

Estrela invicta,
coroada de algas
és dessa luz melíflua e lábil,
que te nasce nos ombros
toda ouro de beber.

Te pressinto
a pele, o ventre. Vens
doce,
táctil,
dos pés
à coxa salgada
ungida desnudez,
única, singular,
onda
de seios ilhas e maresia.

O teu firmamento reconheço por dentro.

Nenhum outro limite não sei.
Me completo no sono de pápebras nuas.

De amar-te
tudo eu crio
indivisivel de teu perfume
onde da noite nos sobram vitrais.

Pelos teus olhos existo,
em ti
me penso, te vejo em mim
acesa.

(antónio carneiro)




segunda-feira, 20 de julho de 2015

Gosto



Gosto de gente,
de gente com coração
de abertura fácil.

Gente do coração
Gente da gente
Gosto de gente aberta
e amiga
de olhos vadios.


Gosto de gente
de sorriso
precoce
e doce.

Gosto de Gente Grande
de alma solta
de coração dócil
de mãos largas
ao amor livre
e que goste
- só por gostar -
da gente.

antónio carneiro


por Dálias florindo



um
azul
me
con
duz
por Dálias
flo
rindo.
- o teu sorriso -
o semá
foro
do desejo.


antónio carneiro
 
 
 

sábado, 18 de julho de 2015

Sede de cinco pétalas



Se me dizes
no idioma das àguas
que nascem lá muito longe:

"Vem,
e deita-te a meu lado,
tenho sede
de cinco pétalas."

Eu te digo:
Bebamos pela mesma taça.
É nossa a vinha,
o néctar, a vida a sobrar
da auréola do sangue
ao sono de pálpebras abertas.

De face contra face
de têmpora contra têmpora,
de pulso a pulso,
o silêncio intacto,
perfumado,
o tempo liquido,
sulcado,
os dedos como serpentes.
os anéis dos lábios cingidos,
sôfregos ambos,
ambos do mesmo ventre
e a rosa da noite para abrir.



antónio carneiro