terça-feira, 13 de junho de 2017






EL VADO



Si vas por la playa donde se vadea el río
verás,
plantadas en el limo,
                 largas varas de eucalipto. Están allí
para los caminantes que van a la otra ribera.
                                   Una será tu cayado:
con ella tantearás, sin riesgo, un camino
entre las aguas turbias
                      y las piedras de resbaloso musgo.

Cuida de dejar hundida la vara
               con gratitud
en la otra orilla: otro viene:
acaso mi padre
que en las tierras amarillas busca sandías silvestres,
                   acaso yo
que regreso, retrasado y viejo,
                   mirando ansioso mi pueblo que tras el río
ondula o se difumina en el vaho solar.
                                                     Allí,
según costumbre, sembraron mi ombligo
entre la juntura de dos adobes
para que yo tuviera patria.
Deja el cayado clavado en el limo.


José Watanabe




Se fores pela beira onde se passa o rio a vau,
hás-de ver,
plantadas no lodo,
varas longas de eucalipto. São para os caminhantes
que vão para a outra margem.
Uma será teu cajado,
com ela tentearás, sem risco, um caminho
entre as águas turvas
e as pedras cobertas de musgo.

Trata de deixar a vara espetada
com gratidão, 
na outra margem, outro virá,
talvez meu pai,
que busca na terra amarela melancias silvestres,
talvez eu,
que regresso, velho e atrasado,
olhando ansioso além do rio a minha terra
a esfumar-se na tremulina do sol.
Ali semearam meu umbigo,
segundo a tradição, entre dois adobes,
para que eu tivesse pátria.

Deixa o cajado espetado no fundo.

(Trad. A.M.)



>>  A media voz (13p) / Poemas del alma (15p) / Wikipedia


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NA PONTA DA LÍNGUA          

     

Não buscar nomes novos
para o que já baptizámos,
nem descobrir a sequência de sons
para designar aquilo que sempre nos escapa, 
porque não consente nome.
Trabalhar na ponta da língua.
Agarrar palavras que todos aprendemos
e combiná-las na ordem precisa,
nomeando o que já todos intuem
mas tanta vez resiste a ser dito.
Escrevê-las de modo que cada um reconheça
na tua busca a sua
e na tua melodia a sua canção.


Jacob Iglesias


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andré breton / improcedente

Arte dos dias arte das noites
A balança das feridas que se chama Perdoa
Balança vermelha e sensível ao peso de um voo de ave
Quando as amazonas de gola de neve de mãos vazias
Empurram os seus carros de vapor por cima dos prados
Essa balança incessantemente enlouquecida eu a vejo
Vejo a íbis com belas maneiras que regressa do tanque laçado no meu coração
As rodas do sonho enfeitiçam os esplêndidos trilhos
Que se levantam muito alto sobre as conchas dos seus vestidos
E o pasmo salta daqui dali por sobre o mar
Parte minha querida aurora não esqueças nada da minha vida
Toma estas rosas que trepam no poço dos espelhos
Toma as palpitações de todas as pestanas
Toma até mesmo os fios eu sustêm os passos dos funâmbulos e das gotas
                                                                                                                      de água
Arte dos dias arte das noites
Estou à janela muito longe numa cidade cheia de pavor
Lá fora homens de cartola seguem-se a intervalos regulares
Semelhantes às chuvas que eu amava
Quando precisamente o tempo estava tão bom
«Na raiva de Deus» é o nome de um cabaré onde eu ontem entrei
Está escrito na frontaria branca em letras mais pálidas
Mas as mulheres-marinheiros que deslizam por detrás das vidraças
São demasiado felizes para serem medrosas
Aqui jamais corpos sempre o assassinato sem provas
Jamais o céu sempre o silêncio
Jamais a liberdade a não ser pela liberdade.



andré breton
«Non-lieu», Le Revolver à cheveux blancs (1932)
vozes da poesia europeia III
traduções de david mourão-ferreira
colóquio letras 165
2003


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Entrega o teu coração ao dia de hoje
como se ele fosse em si a vida inteira.
Entrega o teu destino de olhos cegos:
amanhã é água profunda a cuja espelho
risos e lágrimas de hoje não toldaram.

O coração verdadeiro não tem guia.


adolfo casais monteiro
simples canções da terra
1949


,



Que el mundo es imposible. Que las calles no pueden cabernos en el pecho.
Que nada cabe en el hueco que le está destinado y así nos van las cosas.
Que las hojas de los árboles siguen cayendo y el mar sigue diciendo una palabra que no podemos descifrar: una palabra en movimiento, una palabra en la que cabe el tiempo.
Que estamos hechos de tiempo, pero no de mar.
Que llevamos la cuenta del tiempo que vivimos, mareados, como si pudiéramos llevar las cuentas del mar.
Que contamos la lluvia de los días y los pasos tartamudos de las horas.
Que hacemos balance de minucias.
Que se nos caen las palabras de la boca, sin entenderlas, como la nieve se aturde en el asfalto.
Que confundimos la nieve con la sal, los relojes con la sangre, el pecho con un garaje, y nos consolamos creyendo que todo es relativo, como este pronombre.
Guadalupe Grande


,



" Y después de acabar, volver al mundo
        tras una corta eternidad, ya sosegado
        volver de nuevo al mundo, a éste que sé,
        con una repetida juventud, y junto a mí
        su cuerpo como fuera en su dorada edad
        perdida, y así reconocer la vida interminable
        como no pudo ser ( ahora ya eterna ),
        porque hubo un adiós, y el tiempo envejecía
        no al tiempo, que es en sí siempre eterno,
        sino a lo que tocaba : el mundo,
        y a aquel que, por saberlo, más sufría "

            Francisco Brines.



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" ¿ Qué cosas son las que hay que poseer para considerar a un hombre rico ?, ¿ qué cosas han de faltarle para tenerlo por pobre? Una juiciosa respuesta a estas preguntas demostraría que no son ricos los que disfrutan de bienes abundantes ni pobres los que carecen de ellos "

         José María Herrera.

domingo, 4 de junho de 2017

«Guarde estas dicas num “estojo de primeiros-socorros linguísticos” e nunca se esqueça: escrever bem é uma tarefa difícil, mas possível!», recomenda a autora, neste artigo transcrito, com a devida vénia, da revista Visão de 11/5/2017.



1. PLANIFIQUE O SEU TEXTO

Grande parte do sucesso de um texto está, sem dúvida, na sua planificação. Tal como um arquiteto não começa nenhuma obra sem a projetar primeiro, assim devemos proceder quando temos de escrever um texto, seja uma carta de apresentação, um e-mail profissional ou um artigo científico.
Quais são, então, os passos a dar para se construir um bom texto?
1 – Definir o tipo de texto que se vai escrever e os seus objetivos em função do destinatário.
2 – Fazer uma lista (ou esquema) das ideias ou tópicos, sem qualquer preocupação de ordem.
3 – Organizar esses tópicos, selecionando os relevantes e eliminando os supérfluos.
4 – Estruturar o texto em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão e incluir em cada uma destas partes os tópicos selecionados.
Se deseja escrever bem, fazer um plano é, seguramente, o mapa orientador do caminho da escrita.

2. ESCOLHA AS PALAVRAS CERTEIRAS E EFICAZES

As palavras são a matéria-prima da comunicação, por isso, devemos escolhê-las criteriosamente em função do nosso interlocutor. Escrevemos para quem nos lê e, por isso, devemos colocar o interesse do leitor acima de tudo.
Para que qualquer texto seja eficaz e cumpra o seu objetivo, as palavras não devem ser difíceis e desconhecidas, uma vez que dificultam a compreensão da mensagem e desmotivam quem o lê. Por exemplo, para quê usar a palavra inviabilização se pode optar por impedimento? Ou porquê escolher o verbo agudizar se o verbo piorar é muito mais simples? Evite o uso exibicionista de palavras demasiado eruditas e complicadas e opte sempre por palavras simples, comuns e reconhecidas instantaneamente pelo leitor.
Escolher as palavras certeiras e eficazes é garantia do sucesso do seu texto.

3. SEJA CLARO, BREVE E OBJETIVO

Escrever bem é também, e sobretudo, ser capaz de captar a atenção de quem o lê. Textos longos e demasiado palavrosos são a desculpa perfeita para o leitor desistir da leitura, por isso, se quer prendê-lo do princípio ao fim, então seja claro, breve e objetivo!
A clareza é, sem dúvida, uma qualidade central de uma comunicação escrita eficaz! Quem lê quer compreender de imediato o que lê; quer evitar voltar atrás vezes sem conta; quer ler com prazer e sem esforço. Frases demasiado longas dificultam o processamento da mensagem, por isso, use frases curtas, na ordem direta (sujeito, predicado, complementos), para serem facilmente entendidas logo na primeira leitura.
Intercalações intermináveis, frases dentro de outras frases são um terreno pantanoso que nenhum leitor quer percorrer. Ele até poderá saber onde está o sujeito, mas ficará seguramente a percorrer um interminável labirinto até encontrar o predicado!
Facilite a vida ao seu leitor. Ele ficar-lhe-á muito agradecido!

4. ARTICULE BEM O SEU TEXTO

Outra qualidade central de um texto é a sua coesão. Para que o seu texto seja uma unidade coesa e não um conjunto de frases soltas e “descosidas”, devemos recorrer a palavras que assegurem a articulação lógica entre as frases e os parágrafos. Essa articulação é conferida pelos articuladores discursivos, que são palavras que têm por função encadear as ideias de um texto, dando-lhe um fio condutor. Vejamos alguns dos mais frequentes:
Para expressar opinião: “a meu ver, do meu ponto de vista, considero que...”; para dar ênfase: “efetivamente, com efeito, na verdade…”; para fazer uma chamada de atenção: “considere-se, atente-se, observe-se...”; para mostrar oposição: “embora, no entanto, porém, contudo, todavia…”. E para concluir: “em suma, concluindo, finalmente...”.
Estes são alguns dos conectores que permitem um encadeamento lógico entre as frases e os parágrafos, facilitando a compreensão do texto ao seu leitor.

5. PONTUE BEM O SEU TEXTO

Outro mecanismo que assegura a coesão textual é a pontuação. A pontuação é o tempero do texto, mas mal usada pode ser um autêntico dissabor. Quando o leitor tropeça num sem-número de vírgulas, parênteses e travessões, acaba por perder o fio condutor da leitura.
E vírgulas a menos podem também ser um grande problema: podem alterar de forma drástica o sentido de uma frase. Se não colocarmos vírgulas na frase “O marido da Ana que trabalha no Porto chega hoje”, ficamos a pensar que a Ana tem mais do que um marido! E atenção à regra proibida mais importante: nunca separe por vírgula o sujeito do predicado, nem o verbo dos seus complementos! Nunca!
Memorize este princípio: os elementos centrais da comunicação nunca se separam por vírgula. E a máxima “less is more” funciona muito bem quando falamos de pontuação.

6. CAUSE IMPACTO COM O SEU TEXTO

Um texto pode estar irrepreensivelmente bem escrito, respeitando todas as regras ortográficas, sintáticas, de pontuação e ainda assim não causar qualquer impacto no leitor.
Qualquer tipo de texto tem uma intenção: um texto didático ensina; uma notícia informa; um romance emociona, etc., etc. Para que cada um destes objetivos seja alcançado, o texto deve conter marcas estilísticas que toquem e inspirem o leitor e, em certos casos, o levem a realizar uma determinada ação.
A língua dispõe de vários mecanismos que contribuem para o embelezamento e impacto de um texto. Objetivo? Tão-somente embelezar e valorizar!
Um dos recursos estilísticos mais eficazes na comunicação é a metáfora, que tem como propósito atribuir um sentido figurado às palavras. Eis um exemplo elucidativo:
Sentido literal: Escrever bem é uma tarefa muito difícil hoje em dia.
Sentido metafórico: Escrever bem é, hoje em dia, uma autêntica prova de esforço.
Mecanismos estilísticos como este são, sem dúvida, a maquilhagem do texto, que se quer bela, mas muito suave! Adornar o texto de forma equilibrada é, portanto, o sexto passo para o seu sucesso.

7. ELIMINE OS ERROS QUE MANCHAM O SEU TEXTO (E A SUA IMAGEM!)

Escrever sem erros ortográficos ou gramaticais é um dos maiores desafios para quem escreve. Palavras mal escritas podem ser um autêntico atropelo à comunicação: podem causar equívocos, ambiguidades e trazer alguns dissabores. Se, por exemplo, escrever “Pedi ao banco o meu extrato descriminado”, em vez de “discriminado”, o que estará a dizer é que o extrato foi absolvido de um crime, pois descriminar é o oposto de incriminar! Nódoas linguísticas como “à pouco, à anos atrás, tu faltas-te à reunião, trás o guarda-chuva, eles vêm TV, ele interviu, houveram pessoas, aderência à greve, ir de encontro às expectativas, perca de tempo” são não só um embaraço a uma comunicação eficaz, como podem comprometer o seu sucesso profissional, arruinar a sua imagem e fazê-lo perder, em poucos segundos, a sua reputação e credibilidade.
E agora?

Guarde estas dicas num “estojo de primeiros-socorros linguísticos” e nunca se esqueça: Escrever bem é uma tarefa difícil, mas possível! A escolha certeira das palavras e a sua boa articulação contribuirão seguramente para que possa elevar a sua comunicação escrita a um nível de excelência, projetando uma imagem pessoal e profissional sempre credível.
Fonte
Texto da autora publicado na revista Visão do dia 11 de maio de 2017.

sábado, 3 de junho de 2017





O silêncio se atravessa
como a gestualidade
de uma flor
corta sobre a pureza
de um jardim em liberdade.

Do não dito
Do não tocado
Do não sonhado
fundirei meu coração.

Esperar alguém silenciosamente
é revelar-se
e ser recebido noutro silêncio
é moldar a argila do tempo
para sentir a promessa
que une os amantes
num palpitar comum
num sonho único.

Esta comunhão silente
cada dia
assim meu corpo silente
se entrelaça
da serenidade do teu rosto
do teu peito um bálsamo para a recordação
das primaveras inenarráveis
cada dia
cada dia
tu és o silêncio.

Os 100 melhores livros de todos os tempos – a lista das listas

Para se chegar ao resultado fizemos uma compilação de 15 listas publicadas por jornais, revistas e sites especializados em listas, mercado editorial e livros. O objetivo da pesquisa era identificar, baseado nestas listas, quais eram os 100 melhores livros da história. Algumas das listas pesquisadas incluíam apenas romances, outras — livros não ficcionais. Algumas traziam apenas obras do século 20, outras — obras seminais, formadoras da cultural ocidental. Após a seleção das listas, criamos uma base de dados para que todos os livros fossem pontuados igualmente independentemente do gênero ou período em que foi escrito. Nos casos de empate — e foram muitos — desempatamos atribuindo o valor mais alto ao livro que obteve o maior número de resultados no Google, numa consulta por autor e título.
Participaram do levantamento as publicações: “The New York Times”, “Amazon”, “Le Monde”, “The New York Public Library”, “BBC”, “The Guardian”, “Modern Library”, “Time”, “Newsweek”, “Telegraph”, “Lists Of Bests”, “Wikipedia”, “Folha de S. Paulo”, “Revista Época”, “Revista Bravo”.
Obviamente que listas são sempre incompletas, idiossincráticas. Sabe-se que, como a percepção, a opinião — que foi a base de todas as listas —, é algo individual. De qualquer forma, os 100 livros selecionados, se não são unanimidades entre as publicações pesquisadas (e possivelmente não serão entre os leitores), são referências incontestes da grandeza e importância da literatura para a humanidade.
O resultado não pretende ser abrangente ou definitivo, antes é apenas um reflexo da paixão de leitores e críticos que ajudaram a construir, com suas opiniões, um vasto guia literário que percorre mais de 2 mil anos de história. As sinopses são das respectivas editoras.


1 — Dom Quixote, Miguel de Cervantes, 1605
Dom-Quixote-de-La-Mancha
Dom Quixote de La Mancha não tem outros inimigos além dos que povoam sua mente enlouquecida. Seu cavalo não é um alazão imponente, seu escudeiro é um simples camponês da vizinhança e ele próprio foi ordenado cavaleiro por um estalajadeiro. Para completar, o narrador da história afirma se tratar de um relato de segunda mão, escrito pelo historiador árabe Cide Hamete Benengeli, e que seu trabalho se resume a compilar informações. Não é preciso avançar muito na leitura para perceber que Dom Quixote é bem diferente das novelas de cavalaria tradicionais — um gênero muito cultuado na Espanha do início do século 17, apesar de tratar de uma instituição que já não existia havia muito tempo. A história do fidalgo que perde o juízo e parte pelo país para lutar em nome da justiça contém elementos que iriam dar início à tradição do romance moderno — como o humor, as digressões e reflexões de toda ordem, a oralidade nas falas, a metalinguagem — e marcariam o fim da Idade Média na literatura.


2 — Guerra e Paz, Liev Tolstói, 1869
PV Rio de Janeiro (RJ) 09/11/2011 Imagens do livro "Guerra e paz", de Liev Tolstói (Editora Cosac Naify) - Foto Divulgação
“Milhões de pessoas praticaram, umas contra as outras, uma quantidade tão inumerável de crimes, embustes, traições, roubos, fraudes, falsificações de dinheiro, pilhagens, incêndios e assassinatos, como não se encontra nos autos de todos os tribunais do mundo em séculos inteiros […]. O que produziu tal acontecimento extraordinário?”. Empenhado em responder a esta pergunta, através da busca pela verdade histórica dos fatos, e em argumentar com os historiadores de sua época, que no seu entender resumiam os acontecimentos nas ações de algumas figuras poderosas, Liev Nikoláievitch Tolstói (1828-1910) escreveu um dos maiores romances da literatura mundial. Guerra e paz descreve a campanha de Napoleão Bonaparte na Rússia e estende-se até o ano de 1820. Baseado em meticulosa e exaustiva pesquisa — com fontes que vão dos estudos do francês Adolphe Thiers e do russo Mikháilovski-Danílevsk a testemunhos orais —, Tolstói reconta os episódios que culminaram na derrota francesa e retrata, à sua maneira, personagens reais, como o próprio Napoleão e uma série de comandantes militares.


3 — A Montanha Mágica, Thomas Mann, 1924
A-Montanha-Magica
Imagem simbólica da corrosão da sociedade europeia antes da Primeira Guerra. Ao visitar o primo em um sanatório, Hans Castorp acaba por contrair tuberculose. Permanece internado por sete anos, vivendo em um ambiente de requinte intelectual, em permanente debate com ideias filosóficas antagônicas, até que decide partir para o front.


4 — Ulisses, James Joyce, 1922
Ulisses
Um homem sai de casa pela manhã, cumpre com as tarefas do dia e, pela noite, retorna ao lar. Foi em torno desse esqueleto enganosamente simples, quase banal, que James Joyce elaborou o que veio a ser o grande romance do século 20. Inspirado na “Odisseia”, de Homero, “Ulysses” é ambientado em Dublin, e narra as aventuras de Leopold Bloom e seu amigo Stephen Dedalus ao longo do dia 16 de junho de 1904. Tal como o Ulisses homérico, Bloom precisa superar numerosos obstáculos e tentações até retornar ao apartamento na rua Eccles, onde sua mulher, Molly, o espera. Para criar esse personagem rico e vibrante, Joyce misturou numerosos estilos e referências culturais, num caleidoscópio de vozes que tem desafiado gerações de leitores e estudiosos ao redor do mundo. O culto em torno de “Ulysses” teve início antes mesmo de sua publicação em livro, quando trechos do romance começaram a aparecer num jornal literário dos EUA. Por conta dessas passagens, “Ulysses” foi banido nos Estados Unidos, numa acusação de obscenidade, dando início a uma longa pendenga legal, que seria resolvida apenas onze anos depois, com a liberação do romance em solo americano.


5 — Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez, 1967
Cem-Anos-de-Solidao
“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendia havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer a fábrica de gelo”… Com essa frase antológica, García Marquéz, Prêmio Nobel de Literatura de 1982, introduz a fantástica Macondo, um vilarejo situado em algum recanto do imaginário caribenho, e a saga dos Buendia, cujo patriarca, Aureliano, fez trinta e duas guerras civis… e perdeu todas. García Marquéz já despontava como um dos mais importantes escritores latino-americanos, no início da década de 1970, quando “Cem Anos de Solidão” começou a ganhar público no Brasil. O livro causou enorme impacto. Na época, o continente estava pontilhado de ditaduras. Havia um sentimento geral de opressão e de impotência. Então, essa narrativa em tom quase mítico, em que o tempo perde o caminho, em que os episódios testemunhados e vividos acabam se incorporando às lendas populares, evoca nos leitores uma liberdade imemorial, que não pode ser arrebatada. E tão presente. Tão familiar e necessária.


6 — A Divina Comédia, Dante Alighieri, 1321
A-Divina-Comedia
Texto fundador da língua italiana, súmula da cosmovisão de toda uma época, monumento poético de rigor e beleza, obra magna da literatura universal. É fato que a “Comédia” merece esses e muitos outros adjetivos de louvor, incluindo o “divina” que Boccaccio lhe deu já no século 14. Mas também é certo que, como bom clássico, este livro reserva a cada novo leitor a prazerosa surpresa de renascer revigorado, como vem fazendo de geração em geração há quase 700 anos.


7 — Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust, 1913
Em-Busca-do-Tempo-Perdido
Ciclo de sete romances do escritor francês, inter-relacionados e com um só narrador, dos quais os três últimos são póstumos: “O Caminho de Swann”, “À Sombra das Raparigas em Flor”, “O Caminho de Guermantes”, “Sodoma e Gomorra”, “A Prisioneira”, “A Fugitiva” e “O Tempo Redescoberto”. São dezenas de personagens que se cruzam em histórias de amor, ciúmes e inveja, na França da Belle Époque. A narrativa vai passando do detalhe ao painel e do painel ao detalhe sem projeções definidas, num constante reajuste de tudo aquilo que nunca será perfeitamente ajustado. A obra é um retrato da sociedade de uma época, um mergulho no universo da burguesia francesa que permite que o leitor sinta as divergências entre nobres e burgueses.


8 — O Som e a Fúria, William Faulkner, 1929
O-Som-e-a-Furia
Este romance, finalizado em 1929, marca o início da chamada “segunda fase” da carreira de William Faulkner (1897-1962) e é considerado sua obra mais importante. Vinte anos depois, o autor se consagraria definitivamente, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura. O ambiente da escritura de Faulkner é o sul dos Estados Unidos, escravocrata e derrotado na Guerra da Secessão. O som e a fúria narra a agonia de uma família da velha aristocracia sulista, os Compson, entre os dias 2 de julho de 1910 e 8 de abril de 1928. Um apêndice, acrescentado pelo escritor em 1946, fornece outras informações sobre a história dos Compson entre 1699 e 1945. Assim, é possível afirmar que o grande personagem desta obra-prima é o tempo, o que lhe confere interesse universal.


9 — O Homem sem Qualidades, Robert Musil, 1930-1943
O-Homem-sem-Qualidades
Nesta que é considerada uma das obras literárias mais importantes do século 20, o autor Robert Musil tece uma intrincada trama centralizada em Ulrich. O personagem principal vive diversas experiências, viaja ao exterior e, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, retorna a Viena. Também, convive com os mais diversos tipos humanos, matéria de que se ocupa boa parte do livro. Esta obra de difícil classificação mostra, sobretudo, a decadência dos valores vigentes até o início do século 20, marcando a perda de posição da Europa na decisão dos rumos políticos e econômicos mundiais.


10 — O Processo, Franz Kafka, 1925
O-Processo
A história de Josef K. atravessa os anos sem perder nada do seu vigor. Ao contrário, a banalização da violência irracional no século 20 acrescentou a ela o fascínio dos romances realistas. Na sua luta para descobrir por que o acusam, por quem é acusado e que lei ampara a acusação, K. defronta permanentemente com a impossibilidade de escolher um caminho que lhe pareça sensato ou lógico, pois o processo de que é vítima segue leis próprias: as leis do arbítrio.


11 — Crime e Castigo, Fiódor Dostoiévski, 1866
12 — Anna Kariênina, Liev Tolstói, 1877
13 — Édipo Rei, Sófocles, 427 a.c.
14 — 1984, George Orwell, 1949
15 — O Castelo, Franz Kafka, 1926
16 — Ilíada e Odisseia, Homero, século 8 a.c.
17 — A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy, Laurence Sterne, 1759
18 — Doutor Fausto, Thomas Mann, 1947
19 — Lolita, Vladímir Nabókov, 1955
20 — Enquanto Agonizo, William Faulkner, 1930
21 — A Morte de Virgílio, Hermann Broch, 1945
22 — Os Lusíadas, Luís de Camões, 1572
23 — O Homem Invisível, Ralph Ellison, 1952
24 — Hamlet, William Shakespeare, 1603
25 — Finnegans Wake, James Joyce, 1939
26 — Rumo ao Farol, Virginia Woolf, 1927
27 — Grande Sertão: Veredas (1956)
28 — Pedro Páramo, Juan Rulfo, 1955
29 — As Três Irmãs, Anton Tchekhov, 1901
30 — Orgulho e Preconceito, Jane Austen, 1813
31 — O Leopardo, Tomaso di Lampedusa, 1958
32 — Pais e Filhos, de Ivan Turguêniev, 1862
33 — Contos da Cantuária, Geoffrey Chaucer, século 15
34 — As Viagens de Gulliver, Jonathan Swift, 1726
35 — Middlemarch, George Eliot, 1874
36 — O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger, 1951
37 — O Lobo da Estepe, Herman Hesse, 1927
38 — O Grande Gatsby, Scott Fitzgerald, 1925
39 — O Mestre e Margarida, Mikhail Bulgákov, 1940
40 — As Vinhas da Ira, John Steinbeck, 1939
41 — Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar, 1951
42 — Paralelo 42, John dos Passos, 1930
43 — Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley, 1932
44 — As Asas da Pomba, Henry James, 1902
45 — O Jogo da Amarelinha, Julio Cortázar, 1963
46 — A Náusea, Jean-Paul Sartre, 1938
47 — A Peste, Albert Camus, 1947
48 — Folhas de Relva, Walt Whitman, 1855
49 — Memorial do Convento, José Saramago, 1982
50 — A Invenção de Morel, Adolfo Bioy Casares, 1940
51 — O Tambor, Günter Grass, 1959
52 — Retrato do Artista quando Jovem, James Joyce, 1917
53 — José e Seus Irmãos, Thomas Mann, 1933-1943
54 — Doutor Jivago, Boris Pasternak, 1957
55 — A Cidade e as Serras, Eça de Queirós, 1901
56 — O Estrangeiro, Albert Camus, 1942
57 — Otelo, William Shakespeare, 1622
58 — O Príncipe, Nicolau Maquiavel, 1532
59 — O Amante de Lady Chatterley, D.H. Lawrence, 1928
60 — Os Cantos, Ezra Pund, 1948
61 — A Consciência de Zeno, Italo Svevo, 1923
62 — On The Road, Jack Kerouac, 1957
63 — O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien, 1954
64 — A Terra Desolada, T. S. Eliot, 1922
65 — A Origem das Espécies, Charles Darwin, 1859
66 — A Laranja Mecânica, Anthony Burgess, 1962
67 — Luz em Agosto, William Faulkner, 1932
68 — O Coração das Trevas, Joseph Conrad, 1902
69 — Madame Bovary, Gustave Flaubert, 1856
70 — O Paraíso Perdido, John Milton, 1667
71 — Rei Lear, William Shakespeare, 1608
72 — Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway, 1940
73 — Eneida, Virgílio, 19 a.c.
74 — Matadouro 5, Kurt Vonnegut, 1969
75 — A Sangue Frio, Truman Capote, 1965
76 — Histórias, Heródoto, 440 a.c.
77 — Moby Dick, de Herman Melville, 1851
78 — Mrs. Dalloway, Virgínia Woolf, 1925
79 — Lord Jim, Joseph Conrad, 1900
80 — Ardil 22, Joseph Heller, 1961
81 — A Amada, Toni Morrison, 1987
82 — O Capital, Karl Marx, 1867
83 — As Aventuras de Huckleberry Finn, Mark Twain, 1885
84 — A Revolução dos Bichos, George Orwell, 1945
85 — Ficções, Jorge Luis Borges, 1944
86 — Frankenstein, Mary Shelley, 1818
87 — O Sol Também se Levanta, Ernest Hemingway, 1926
88 — Corre, Coelho, John Updike, 1960
89 — O Vermelho e o Negro, Stendhal, 1830
90 — O Complexo de Portnoy, Philip Roth, 1969
91 — Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas, 1844
92 — A Interpretação dos Sonhos, Sigmund Freud, 1900
93 — Trópico de Câncer, Henry Miller, 1934
94 — Pergunte ao Pó, John Fante, 1939
95 — Reparação, Ian McEwan, 2001
96 — Os Miseráveis, Victor Hugo, 1862
97 — Meridiano de Sangue, Cormac McCarthy, 2008
98 — Sonetos, William Shakespeare, 1609
99 — Desonra, J. M. Coetzee, 1999
100 — O Deserto dos Tártaros, Dino Buzzati, 1940

http://epubr.club/os-100-melhores-livros-de-todos-os-tempos-a-lista-das-listas/

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Photovoltaics and batteries—an expensive combination


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sexta-feira, 2 de junho de 2017


A verdadeira e única viagem de descoberta…
.
[seria] possuir os olhos de outro,
abranger o universo
através dos olhos de outro.
.
—Marcel Proust

Foto de António Carneiro.




3\5\2017



" a beleza espiritual consiste no facto de que o comportamento e os actos de uma pessoa estejam bem proporcionados segundo a luz da razão"


Santo Tomás de Aquino ( 1225-1274 )












6\4\2017