terça-feira, 27 de setembro de 2016















Fauna & Flora, Julieanne Kost
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Autumn landscapes, Vincent van Gogh
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Tim Moxon/Weather Photographer of the Year 2016


Graham Newman/Weather Photographer of the Year 2016


Mark Boardman/Weather Photographer of the Year 2016


Alan Tough/Weather Photographer of the Year 2016


Camelia Czuchnicki/Weather Photographer of the Year 2016


Ben Cherry/Weather Photographer of the Year 2016


Mat Robinson/Weather Photographer of the Year 2016

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All along the line, Pedro Tapa











All along the line, Pedro Tapa
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Portugal visto do Céu - Best of my flights in 2015 - 4K Ultra HD

D.A.M.A - Era Eu

domingo, 25 de setembro de 2016

wondrous
ˈwʌndrəs/
adjective
literary
  1. 1.
    inspiring a feeling of wonder or delight; marvellous.
    "this wondrous city"
adverb
archaic
  1. 1.
    marvellously; wonderfully.
    "she is grown wondrous pretty"

[A minha Dor, vesti-a de brocado,]

A minha Dor, vesti-a de brocado,
Fi-la cantar um choro em melopeia,
Ergui-lhe um trono de oiro imaculado,
Ajoelhei de mãos postas e adorei-a.
Por longo tempo, assim fiquei prostrado,
Moendo os joelhos sobre lodo e areia.
E as multidões desceram do povoado,
Que a minha dor cantava de sereia…
Depois, ruflaram alto asas de agoiro!
Um silêncio gelou em derredor…
E eu levantei a face, a tremer todo:
Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro!
E, misérrima e nua, a minha Dor
Ajoelhara a meu lado sobre o lodo.
José Régio, in ‘Poemas de Deus e do Diabo’

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

"… ¿ Amor será regalar uno al otro la propia soledad ? Es la cosa más profunda que podemos dar de nosotros "

"... será o Amor presentear um ao outro a solidão própria? É a coisa mais profunda que podemos dar de nós próprios."


                        Clarice Lispector ( 1920-1977 )

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A canção de Maria

Que é de ti melancolia?...
Onde estais, cuidados meus?...
Sabei que a minha alegria
É toda vinda de Deus...
Deitei-me triste e sombria,
E amanheci como estou...
Tão contente! Todavia
Minha vida não mudou.
Acaso enquanto dormia
Esquecida de meus ais,
Um sonho bom me envolvia?
Se foi, não me lembro mais...
Mas se foi sonho, devia
Ser bom demais para mim...
Senão, não me sentiria
Tão maravilhada assim.

Ó minha linda alegria,
Trégua dos cuidados meus,
Por que não vens todo dia,
Se és toda vinda de Deus?


Clavadel, 1913.

Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira
(edição de Francisco de Assis Barbos)
Flor é esta entre os lábios
Rosa vermelha de cio

O mar de espuma é um rio
granito dos peixes o dorso

O longo caminho do exílio
não me esmorece o esforço

Flor é esta entre os lábios
Rosa negra saudade

Humano sou e permaneço

Fraternidade nas lágrimas
que dos teus olhos mereço

(Versão de 29.7.69)

António Jacinto, Sobreviver em Tarrafal de Santiago
Não negues os teus lábios
aos seus lábios
depois dos lábios seus
beijarem o teu falo

Porque se o néctar
sabe a fel para ti
à donzela generosa soube a mel

Deixa pois teu coração
aberto ao mel
deixa beijar os teus lábios
não resistas

De contrário, meu anjo
és todo fel
e tua alma
é um ninho de fascistas

Dick Hard, De Boas Erecções Está o Inferno Cheio
Somos de barro. Iguais aos mais.
Ó alegria de sabê-lo!
(Correi, felizes lágrimas,
por sobre o seu cabelo!)

Depois de mais aquela confissão,
impuros nos achámos;
nos descobrimos
frutos do mesmo chão.

Pecado, Amor? Pecado fora apenas
não fazer do pecado
a força que nos ligue e nos obrigue
a lutar lado a lado.

O meu orgulho assim é que nos quer.
Há-de ser nosso o pão, ser nossa a água.
Mas vencidas os ganhem, vencedoras,
nossa vergonha e nossa mágoa.

O nosso Amor, que história sem beleza,
se não fora ascensão e queda e teimosia,
conquista... (E novamente queda e novamente
luta, ascensão...) Ó meu Amor, tão fria,

se nascêramos puros, nossa história!

Chora sobre o meu ombro. Confessámos.
E mais certos de nós, mais um do outro,
mais impuros, mais puros, nós ficámos.

Sebastião da Gama, Pelo Sonho É que Vamos