"Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.
E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido".
Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar'
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Correr depressa (e demais) faz tão mal como ficar no sofá
Ler mais: http://visao.sapo.pt/correr-depressa-e-demais-faz-tao-mal-como-ficar-no-sofa=f809077#ixzz3QjNslFQI
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Quando se fala de exercício, o melhor é fixar o velho adágio: nem oito nem oitenta. Porque se é verdade que uma vida sedentária prejudica a saúde, um novo estudo mostra que exercício a mais também mata.
Investigadores dinamarqueses avaliaram 1098 corredores e descobriram que os que corriam a mais de 11 Km/hora estavam a pôr em perigo a sua saúde, ao contrário dos que corriam a 8 km/hora apenas duas ou três vezes por semana.
Mas há mais: Os que faziam treinos extenuantes tinham tantas probabilidades de morrer como os que não faziam qualquer atividade física. Em causa estão riscos para o sistema cardiovascular.
"Pode haver um limite máximo para o exercício ser benéfico para a saúde", considera Peter Schnohr, imvestigador do Hospital de Copenhaga.
Correr entre uma a 2,4 horas por semana foi associado à taxa mais baixa de mortalidade, assim como uma frequência não superior a três vezes por semana.
Acerca da Primavera de Botticelli
Fica no corpo uma curva mais larga
e os cabelos desenham os vestidos,
se chega, sobre as flores, o vento e afaga
as pregas entreabertas dos sentidos,
a clâmide, as nascentes desses braços
que nos trazem a água recolhida
na sombra de um sorriso, os lentos passos
de quem foge do tempo para a vida,
quando outra fonte oculta desprendia
o silêncio, este prado, o amor, o dia...
Fernando Guimarães, in As Mãos Inteiras.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
We suggest that the reason our complex world is understandable is due to the same fundamental reason: simple theories of macroscopic behavior are hidden inside complicated microscopic processes.
Large scale models of physical phenomena demand the development of new statistical and computational tools in order to be effective. Many such models are `sloppy', i.e., exhibit behavior controlled by a relatively small number of parameter combinations. We review an information theoretic framework for analyzing sloppy models. This formalism is based on the Fisher Information Matrix, which we interpret as a Riemannian metric on a parameterized space of models. Distance in this space is a measure of how distinguishable two models are based on their predictions. Sloppy model manifolds are bounded with a hierarchy of widths and extrinsic curvatures. We show how the manifold boundary approximation can extract the simple, hidden theory from complicated sloppy models. We attribute the success of simple effective models in physics as likewise emerging from complicated processes exhibiting a low effective dimensionality. We discuss the ramifications and consequences of sloppy models for biochemistry and science more generally. We suggest that the reason our complex world is understandable is due to the same fundamental reason: simple theories of macroscopic behavior are hidden inside complicated microscopic processes.
http://arxiv.org/abs/1501.07668
http://arxiv.org/abs/1501.07668
domingo, 1 de fevereiro de 2015
(António Lobo Antunes). ...fala-se da memória e o escritor tem esta tirada ...: "A minha memória é terrível. Tenho uma memória péssima, lembro-me de tudo. Parece aqueles tecidos a que se pega tudo”.
1. Por S. Brás (3) atirarás. 2. Em Fevereiro entra o Sol em qualquer rigueiro. 3. Fevereiro faz dia e logo Santa Maria. 4. Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado, nem bom lameiro, nem bom corno no carneiro.
1. Por S. Brás (3) atirarás.
2. Em Fevereiro entra o Sol em qualquer rigueiro.
3. Fevereiro faz dia e logo Santa Maria.
4. Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado, nem bom lameiro, nem bom corno no carneiro.
2. Em Fevereiro entra o Sol em qualquer rigueiro.
3. Fevereiro faz dia e logo Santa Maria.
4. Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado, nem bom lameiro, nem bom corno no carneiro.
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