sábado, 4 de março de 2017
Brain Activity At The Moment of Death - Neuroskeptic
Brain Activity At The Moment of Death - Neuroskeptic: What happens in the brain when we die? Canadian researchers Loretta Norton and colleagues of the University of Western Ontario examine this grave question in a new paper: Electroencephalographic Recordings During Withdrawal of Life-Sustaining Therapy Until 30 Minutes After Declaration of Death Norton et al. examined frontal EEG recordings from four critically ill patients at …
[Eu quero uma licença de dormir,]

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
Adélia Prado
[Coisas assim]
‘’Aquilo que nos resta são as pequenas alegrias. No contexto de tamanha tristeza e tanta verdade tornam-se grandes, por serem as únicas que há. Não falo nas alegrias que passam, como passam quase todas as paixões.
Falo das alegrias que se tornam rotinas, com que se conta: comprar revistas, jantar ao balcão, dormir junto do mar, dizer disparates, beber de mais, rir. Coisas assim. São essas coisas — entre as quais o amor — que não se podem deitar fora sem, pelo menos, morrer primeiro.’’
| miguel esteves cardoso |
Falo das alegrias que se tornam rotinas, com que se conta: comprar revistas, jantar ao balcão, dormir junto do mar, dizer disparates, beber de mais, rir. Coisas assim. São essas coisas — entre as quais o amor — que não se podem deitar fora sem, pelo menos, morrer primeiro.’’
| miguel esteves cardoso |
quinta-feira, 2 de março de 2017
Digo:
“Lisboa”
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construida ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver
Sophia de Mello Breyner Andresen (1977), in Obra Poética, 2011
“Lisboa”
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construida ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver
Sophia de Mello Breyner Andresen (1977), in Obra Poética, 2011
Quando este silêncio
se instala e o caminho
parece tomado de
uma névoa intensa,
tão intensa que nos cega...
quando candeia alguma
se insinua... regresso
ao teu rosto, aos olhos
teus que tudo iluminam,
ao teu corpo, ao menino.
ao luar, aos anjos, às
palavras, inevitáveis
lugares deste encontro,
deste dédalo solar
que o jacto de sangue é.
Mário Avelar, Pelas Mãos de Mussorgsky numa Galeria com Anjos (2000)
Ao poeta, se realmente o for, nada pode ser alheio. Sabe-o, crua e visceralmente, António Barahona: «E pergunto-me por que escrevo, do mesmo modo que pergunto por que respiro; e reaproprio-me de tudo, a fim de vislumbrar o Todo, na tentativa de converter em harmonia a dissonância do mundo»
*
You are tired,
(I think)
Of the always puzzle of living and doing;
And so am I.
Come with me, then,
And we'll leave it far and far away—
(Only you and I, understand!)
You have played,
(I think)
And broke the toys you were fondest of,
And are a little tired now;
Tired of things that break, and—
Just tired.
So am I.
But I come with a dream in my eyes tonight,
And knock with a rose at the hopeless gate of your heart—
Open to me!
For I will show you the places Nobody knows,
And, if you like,
The perfect places of Sleep.
Ah, come with me!
I'll blow you that wonderful bubble, the moon,
That floats forever and a day;
I'll sing you the jacinth song
Of the probable stars;
I will attempt the unstartled steppes of dream,
Until I find the Only Flower,
Which shall keep (I think) your little heart
While the moon comes out of the sea.
*
You are tired,
(I think)
Of the always puzzle of living and doing;
And so am I.
Come with me, then,
And we'll leave it far and far away—
(Only you and I, understand!)
You have played,
(I think)
And broke the toys you were fondest of,
And are a little tired now;
Tired of things that break, and—
Just tired.
So am I.
But I come with a dream in my eyes tonight,
And knock with a rose at the hopeless gate of your heart—
Open to me!
For I will show you the places Nobody knows,
And, if you like,
The perfect places of Sleep.
Ah, come with me!
I'll blow you that wonderful bubble, the moon,
That floats forever and a day;
I'll sing you the jacinth song
Of the probable stars;
I will attempt the unstartled steppes of dream,
Until I find the Only Flower,
Which shall keep (I think) your little heart
While the moon comes out of the sea.
- E. E. CUMMINGS
*
"Com a primeira luz, um pássaro negro afasta-se a voar - é um poema."
Lawrence Ferlinghetti, A Poesia como Arte Insurgente,
trad. de Inês Dias, Lisboa, Relógio D'Água, 2016
*
The best remedy for those who are afraid, lonely or unhappy is to go outside, somewhere they can be quiet, alone with the heavens, nature and God. Because only then does one feel all as it should be.
-Anne Frank -
quarta-feira, 1 de março de 2017
[este silêncio sempre ajoelhado]
O SENTIDO DA SIMPLICIDADE
Escondo-me atrás de coisas simples, para que me encontres.
Se não me encontrares, encontrarás as coisas,
tocarás o que a minha mão já tocou,
os traços juntar-se-ão de nossas mãos, uma na outra.
A lua de Agosto brilha na cozinha
como pote estanhado (pela razão já dita),
ilumina a casa vazia e o silêncio ajoelhado,
este silêncio sempre ajoelhado.
Cada palavra é a partida
para um encontro – muita vez anulado –
e só é verdadeira quando, para esse encontro,
ela insiste, a palavra.
Yannis Ritsos
Tradução de Eugénio de Andrade.
1909-1990- Grécia
[Nothing gold can stay.]
.
Nature’s first green is gold,
Her hardest hue to hold.
Her early leaf’s a flower;
But only so an hour.
Then leaf subsides to leaf.
So Eden sank to grief,
So dawn goes down to day.
Nothing gold can stay.
Robert Frost
Chorar
“Chorar com lágrimas é sinal de dor moderada; chorar sem lágrimas é sinal de maior dor;
e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva.”
(Padre Antonio Vieira)
e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva.”
(Padre Antonio Vieira)
Nunca saberemos
Nunca sabremos si los engañados
son los sentidos o los sentimientos,
si viaja el tren o viajan nuestras ganas,
si las ciudades cambian de lugar
o si todas las casas son la misma.
Nunca sabremos si quién nos espera
es quién debe esperarnos, ni tampoco
a quién tenemos que aguardar en medio
de un frío andén. Nada sabemos.
Avanzamos a tientas y dudamos
si esto que se parece a la alegría
es la señal definitiva
de que hemos vuelto a equivocarnos.
Amalia Bautista
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou se viajam as nossas vontades,
se as cidades mudam de lugar
ou se todas as casas são a mesma.
Nunca saberemos se quem nos espera
é quem deve esperar-nos, nem tão pouco
a quem temos de esperar
num frio cais. Nada sabemos
Avançamos às apalpadelas e duvidamos
se isto que se parece com a alegria
é o sinal definitivo
de que voltámos a enganar-nos.
Amalia Bautista
(Trad. aj c.)
A Solar Eclipse

Image Credit & Copyright: Stephen Bedingfield
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